A leitura manual registra a temperatura em dois ou três instantes do dia; tudo o que acontece entre as leituras fica sem evidência. Um estudo conduzido em três estados da Índia (Das et al., 2020), com 213 equipamentos e 59.039 horas de registro contínuo, mostrou que as vacinas guardadas em equipamentos não padronizados ficaram acima de 8 °C em 55 % do período observado e que essas excursões não foram captadas pelo monitoramento manual de rotina. O monitoramento contínuo elimina esse intervalo cego, e a gestão de alarmes transforma o registro em ação.
O que as diretrizes esperam
O Suplemento Técnico 6 da OMS (TRS 961, 2015) orienta que o monitoramento seja preferencialmente automático e contínuo; que os alarmes sejam visuais e, de preferência, sonoros, com aviso automático por e-mail ou SMS às pessoas responsáveis; que apenas usuários autorizados alterem os limites; e que haja alarmes de evento para falha de energia e porta aberta. O Anexo 9 do TRS 961 fixa parâmetros: sensores com exatidão de ± 0,5 °C, ao menos seis leituras por hora em salas controladas, calibração anual rastreável e verificação dos alarmes ao menos a cada seis meses nos pontos de ajuste.
As normas brasileiras caminham na mesma direção. A RDC 430/2020 determina que a leitura intermitente, quando adotada, corresponda aos períodos de maior criticidade, e exige fonte alternativa de energia e plano de contingência para medicamentos termolábeis. A RDC 938/2024, aplicável aos armazéns alfandegados, exige expressamente monitoramento contínuo de termolábeis e alarme de mínima e máxima em cada área de temperatura controlada. A Portaria GM/MS nº 11.685/2026, que reeditou o regulamento técnico de hemoterapia e vigora desde 30 de setembro de 2026, recomenda o registro contínuo nas câmaras de conservação, exige verificação a cada quatro horas na ausência dele, determina alarmes de alta e de baixa temperatura testados ao menos a cada três meses e exige a revisão periódica dos registros por pessoa qualificada.
Na Europa, o rascunho de revisão do Anexo 11 das BPF, em consulta em 2025, dedica uma seção aos alarmes: limites e atrasos justificados; reconhecimento de alarmes críticos somente por usuários autorizados, com comentário; registro automático de cada alarme e reconhecimento, sem possibilidade de desativar ou editar o log; e revisão periódica documentada.
Limites, atrasos e escalonamento
Um alarme útil começa pelo limite certo. O Manual de Rede de Frio do PNI (2025) orienta o alarme entre 3 °C e 7 °C para uma faixa de conservação de 2 °C a 8 °C, de modo que o aviso chegue antes do limite do produto. O atraso de disparo depende da direção do desvio: a especificação PQS E006/TR06.4 da OMS, para registradores de 30 dias em refrigeradores de vacina, aciona o alarme de alta quando a temperatura permanece em 8 °C ou acima por 10 horas, e o de baixa quando atinge −0,5 °C ou menos por 60 minutos, porque o congelamento causa dano permanente em pouco tempo, enquanto o calor age de forma cumulativa.
O escalonamento define quem recebe o aviso, em que ordem e em quanto tempo, e precisa cobrir noites, finais de semana e feriados. Cada reconhecimento deve ficar registrado com nome, hora e ação tomada, porque a revisão periódica dos registros depende desse histórico.
As falhas que o alarme intercepta
- Porta aberta ou vedação danificada: no estudo indiano, 23,3 % dos equipamentos tinham gaxetas danificadas; a OMS prevê alarme de porta aberta.
- Falta de energia: refrigeradores de vacina avaliados pela OMS mantêm a faixa por ao menos 20 horas, enquanto um refrigerador doméstico sem bobinas de água, em ensaio da PATH e da OMS na Tunísia, perdeu a faixa em 42 minutos.
- Falha de refrigeração ou do compressor: o alarme automático é o meio de detectar a perda de função fora do expediente.
- Termostato mal ajustado ou defeituoso: principal causa dos alarmes de congelamento identificada no Quênia.
- Gelo acumulado e falta de degelo ou de manutenção, identificados nos estudos indiano e queniano.
O que a evidência mostra
No Quênia (Lutukai et al., 2019), 59 refrigeradores de 36 unidades de saúde receberam monitoramento remoto com leituras a cada 10 minutos e alarmes por SMS, acompanhados por equipes de revisão de dados. O tempo na faixa correta subiu de 83,9 % para 90,9 %, e o tempo em temperatura de congelamento caiu de 6,5 % para 1,5 %. Os autores observam que o resultado veio da combinação entre a tecnologia e o processo de revisão: o alarme só produz resultado quando há uma rotina de resposta. Na Tunísia (Lloyd et al., 2015), o monitoramento contínuo, combinado a outras medidas, reduziu em 40 % a incidência de alarmes de congelamento nos centros de saúde e o risco de congelamento no transporte de 13,8 % para 1,7 %.
Como a ThermoScience apoia. O ConnectLab, oferecido pela ThermoScience, atualiza as leituras de cada equipamento a cada segundo; dispara alarmes com aviso no computador e no celular; registra o reconhecimento na trilha de eventos com o nome de quem reconheceu, a data e a hora; permite abrir um chamado para a ThermoScience a partir do alarme; e emite relatórios de Registros de Alarmes com estatísticas, curva e selo de integridade. O aplicativo Android mostra as últimas informações recebidas mesmo quando está sem internet.